terça-feira, 25 de setembro de 2012

A MENTIRA E A MISTIFICAÇÃO DA VEJA






Aqueles que, credulamente, ainda pensam que os jornais e revistas do PIG (Partido da Imprensa Golpista) têm o objetivo de informar e debater questões públicas relevantes, podem encontrar, na edição desta semana do panfleto direitista chamado Veja, um desmentido para estas esperanças e farto material pedagógico sobre a maneira como agem. São instrumentos da luta de classes dos ricos contra os pobres, onde os cães de guarda dos interesses dominantes investem contra os setores progressistas, democráticos e nacionalistas num combate político cuja arma é a mentira e a difamação.
O repórter, autor da matéria, e o diretor da revista afirmam ali, candidamente, que as graves denúncias feitas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão baseadas no ouvir dizer, em “revelações de parentes, amigos e associados” do empresário Marcos Valério, que extravasaria a eles seu inconformismo por sua condenação no processo do chamado “mensalão”. Acusação ouvida do próprio Marcos Valério – e esse é o critério não só do bom jornalismo, mas também da boa investigação criminal – nenhuma! Aliás, o próprio advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, prontamente desmentiu as mentiras da revista da família Civita e afirmou que seu cliente não conversou com nenhum jornalista.
O artigo calunioso sustenta que Lula teria se encontrado com o publicitário Marcos Valério, quando presidente da República, para acertar detalhes do chamado “mensalão”, que envolveria uma quantia muito maior do que a atribuída no julgamento que ocorre no Supremo Tribunal Federal, alcançando R$ 350 milhões.
Não é a primeira vez que Veja é pega na mentira, que tem sido a norma da revista nos últimos anos e não apenas em matérias políticas mas também em outras áreas. Há um ano, no início de setembro de 2011, ela divulgou uma matéria de capa sobre um medicamento para diabetes que, assegurava, levaria seus usuários a emagrecimento em tempo recorde; foi um escândalo tamanho, de repercussões negativas sobre a saúde pública, que a Anvisa precisou intervir e obrigar a revista a se desmentir. Os ecos da matéria mentirosa e da intervenção da Anvisa foram ouvidos inclusive em academias de ginástica onde pessoas ainda crédulas se manifestavam indignadas com a irresponsabilidade e as mentiras da revista.
A série de mentiras é longa; ela envolve, só para lembrar algumas, o acolhimento das acusações feitas por um bandido contra o ministro do Esporte Orlando Silva Jr (e, em consequência, contra o PCdoB) ou a fantasiosa “revelação” de que Lula teria pressionado o ministro Gilmar Mendes, do STF, pelo adiamento do julgamento do chamado “mensalão”, que foi imediatamente desmentida pela terceira pessoa que participou do encontro durante o qual a pressão, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim.
São antecedentes mentirosos que não contam para os paladinos do conservadorismo e do neoliberalismo na mídia comercial. Um dos mais notáveis deles, o comentarista Merval Pereira, de O Globo, foi logo para o ataque afirmando a possibilidade de uma denúncia contra Lula, com base nas acusações falsas de Veja. Outros – como Ricardo Noblat – foram na esteira dele, e no mesmo tom.
É a volta do coro conservador e neoliberal, com um objetivo muito claro e definido. Desde a crise de 2005 estes comentaristas sabem que não conseguem enganar o povo. Foram derrotados pelo voto popular nas eleições de 2006 e depois em 2010, e seus partidos e candidatos enfrentam dificuldades imensas nas eleições municipais desde então. O PSDB minguou e a voz de seus caciques, ouvidas nos salões chiques de São Paulo, Rio de Janeiro, Londres ou Nova York, não repercutem mais ali onde de fato interessa: no meio do povo, que vota e escolhe os governantes.
A tática que parecem adotar, perante este quadro de dificuldades eleitorais para seu renegado programa neoliberal e para aqueles que o representam, é tentar inviabilizar juridicamente uma nova candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2014 ou 2018. Para aqueles que aceitavam apenas um mandato para Lula – o primeiro, de 2003 a 2006 – o quadro que se apresenta é politicamente aterrador ao indicar a quase inexorável perspectiva de um domínio de mais de vinte anos das forças democráticas, progressistas e patrióticas sobre a Presidência da República.
Daí a ideia “genial”: condenar Lula como o chefe do chamado “mensalão” e ganhar, no tapetão, aquilo que não conseguem alcançar no voto, a exclusão do líder sindical e operário de futuras disputas eleitorais.
É difícil que tenham êxito, como mostra a reticência dos presidentes dos dois principais partidos da direita neoliberal -- o PSDB e o DEM --, Sérgio Guerra e José Agripino, diante de qualquer iniciativa jurídica contra Lula a partir de bases tão frágeis quanto a mentira relatada por Veja.
A luta é política; é luta de classes, e a direita (com seus cães de guarda da mídia) investe – nunca é demais repetir – na única e esfarrapada bandeira que alega sustentar, a defesa da moral e da ética. O caráter mentiroso dessa defesa fica claramente exposto quando se vê o comportamento dessa mesma mídia diante de acusações mais graves e sólidas contra o tucanato e seus governos, como se viu no eloquente silêncio a respeito das denúncias feitas no livro A Privataria Tucana, no qual o jornalista Amaury Ribeiro Júnior denuncia as falcatruas do governo de Fernando Henrique Cardoso, ou diante do acúmulo de denúncias do envolvimento do jornalista Policarpo Jr, diretor de Veja em Brasília, com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Para a mídia e para os tucanos o objetivo não é alegada moralidade, mas a criação de condições para sua volta ao poder. Como se fosse possível no Brasil de hoje!
O poder da mídia conservadora é inegável, e grande. É o poder da classe dominante brasileira, fortalecido inclusive com contribuições do próprio governo federal. Dados divulgados na semana passada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República mostram que, dos R$ 161 milhões gastos em publicidade desde o início do governo de Dilma Rousseff, R$ 50 milhões foram apenas para a TV Globo; a Editora Abril recebeu R$ 1,6 milhão (R$ 1,3 milhão para publicidade em revistas e R$ 300 mil na internet).
Esse poder se defronta hoje com um protagonismo popular mais acentuado; os velhos “formadores de opinião” claudicam ante o despertar do povo brasileiro e, sem propostas claras e objetivas, amparam-se em mentiras e na calúnia. Precisam olhar a história: em batalha semelhante, na década de 1950, a mídia conservadora e antidemocrática investiu contra o presidente Getúlio Vargas com a mesma fúria com que hoje ataca as mesmas forças democráticas, progressistas e patrióticas que dirigem o governo federal.
O fracasso daquela investida ficou clara na derrocada da principal revista da época, O Cruzeiro, notável pela mesma capacidade de mentir e caluniar hoje protagonizada por Veja. Em outubro de 1954, logo depois do suicídio de Vargas, a tiragem de O Cruzeiro ainda era de 700 mil exemplares; poucos meses depois, em fevereiro de 1955, caiu para 660 mil e seguiu em queda livre até 1965, quando ficou na faixa dos 400 mil exemplares, e continuou caindo (os dados estão num livro cujo título é apropriado:
Cobras Criadas: David Nasser e O Cruzeiro, do jornalista Luiz Maklouf Carvalho).
A direita e os conservadores precisaram de um golpe militar, em 1964, para impor suas teses e massacrar a democracia que se fortalecia.
Os tempos mudaram e a direita, hoje, mantém o poder do dinheiro e da mídia mas perdeu a capacidade de mobilização popular e de respaldo dos quartéis para seus projetos anacrônicos, antidemocráticos e antipatrióticos. Restam a ela, como armas, a mentira e a mistificação.

N.L.: Texto de José Carlos Ruy, lambido do excomungado Blog do Onipresente.

 



quinta-feira, 10 de maio de 2012

OS MOSQUETEIROS DA VEJA

A revista Veja, em sua edição nº 2015, de 4 de julho de 2007, informava a seus ingênuos leitores plenos de credulidade quem eram
Os mosqueteiros da ética
Da esquerda para a direita: Gabeira, Simon, Jarbas, Demóstenes e Jefferson Peres
E afirmava que:
"Eles são poucos. Mas é quase tudo com que os brasileiros podem contar no Congresso para que os interesses particulares não dominem totalmente a política.”
Pois é! Olha ele lá. O mais alto de todos, o paladino da ética.  Agora, depois de tudo, dá pra confiar nos outros?

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O NOSSO MURDOCH

Este cara na capa de Carta Capital é o capo di tutti capi da máfia jornalística brasileira. É Victor Civita, proprietário da Editora Abril que publica a revista Veja.
A Veja que teve - e, talvez, ainda tenha - como um de seus principais colaboradores o Carlinhos Cachoeira. 
Domingo Espetacular mostrou, ontem, em cadeia nacional, toda a lama da manipulação no nefasto jornalismo da revista.
Assista abaixo toda a reportagem da Rede Record e saiba porque Victor Civita é considerado o nosso Rupert Murdoch.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A BAIXA DE JUROS E A CPMI DA VEJA

Veja só, a Rede Gloebbels conseguiu a proeza de desmentir a máxima de seu patrono nazista de que “Uma mentira muitas vezes repetida acaba tornando-se verdade”. 
Constantemente criticado por economistas independentes e empresários, o “spread” bancário brasileiro sempre foi um dos mais elevados do mundo, proporcionando um lucro extraordinário ao sistema bancário.
Desde sempre pensei que a solução para reduzir o “spread” seria o Governo aproveitar-se dos bancos oficiais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, reduzindo as taxas de juros cobradas de seus correntistas e devedores de empréstimos. E, assim, forçando os bancos particulares a seguirem processo idêntico para não perder mercado.
Foi o que fez, enfim, a corajosa Dilma.
A Rede Gloebbels, subserviente à FEBRABAN, deu, então, início a uma campanha de mentiras muitas vezes repetidas nas primeiras páginas.
Seus abalizados analistas econômicos, pagos exclusivamente para distorcer a realidade, afirmavam que não se reduz juros sob pressão, que CAIXA e BB não suportariam a enxurrada de inadimplentes e que até poderiam falir pois cairia a sua rentabilidade.
Combateram cotidianamente o que sempre defenderam: a redução do “spread” bancário.
A mentira muitas vezes repetida não se converteu em verdade e HSBC, Santander, Itaú e Bradesco, foram obrigados a reduzir seu “spread”  para não perder clientes.
Outra campanha de mentiras repetidas afirmava que o Governo não queria a CPMI do Cachoeira-Demóstenes-Veja, pois, tinha receio de ser atingido. Que a Dilma brecava as assinaturas da base aliada para a sua instalação. Que o PT estava retirando suas assinaturas a mando do Lula. Tudo isso nas primeiras páginas da Rede Gloebbels.
Pois é, hoje a CPMI foi criada com a assinatura de mais que o dobro do número necessário. O requerimento foi assinado por 362 deputados e 67 senadores. A criação de uma CPMI precisa ser autorizada por, pelo menos, 171 deputados e 27 senadores.
Que se investigue tudo e quem estiver devendo que pague: corruptos e, principalmente corruptores.
A Rede Gloebbels é capaz de coisas que até Deus duvida. E seus leitores ainda acreditam nela.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A CORTINA DE FUMAÇA DA VEJA

Definitivamente, a Veja perdeu a vergonha e o respeito por seus leitores. Ou será que ela nunca teve? Ou ela pensa que todos que a leem são idiotas para acreditar no que ela diz? Habituada a provocar CPIs, a Veja vai se tornar protagonista de uma que será instalada por acordo quase unânime de todas as forças políticas, reunindo Senado e Câmara Federal, que pode, enfim, demonstrar como a revista manipula a notícia e seus leitores obtendo informações no submundo do crime organizado.
Há bem pouco tempo, um importante jornal inglês foi obrigado a fechar suas portas e parar suas rotativas por denúncias muito menos graves do que as que a Veja vai ter que enfrentar na CPI.
Esta semana, Veja faz uso da cartilha fascista, na qual os fins justificam os meios, ao defender o uso de métodos espúrios para alcançar seus objetivos.

Para isso, Veja cria uma cortina de fumaça para encobrir atitudes espúrias de seu redator-chefe Policarpo Junior. E acusa o governo de tentar abafar o julgamento do “mensalão”.
Como isso seria possível. O Supremo é absolutamente independente para julgar, condenar alguns e absolver outros. Ou a Veja pensa que só há babacas no Supremo Tribunal Federal?
Babacas são os seus leitores que não virem a manipulação da edição desta semana. A Veja, absolutamente, não se defende do que andou publicando e de sua associação com o submundo. Ela parte para o ataque com argumentos vergonhosos e inacreditáveis para quem é medianamente inteligente.
Porra! Que culpa tem o Lula se no último minuto da prorrogação do segundo tempo surge a cumplicidade entre o Cachoeira e a Veja?
A revista quer fazer o leitor acreditar que a instalação da CPI não está relacionada ao escândalo Cachoeira-Demóstenes-Policarpo, mas sim a uma tentativa de pressionar o STF e abafar o "mensalão".
A CPI vai sair e vai revelar o escabroso submundo da promiscuidade entre a Veja e Cachoeira.
A desesperada tentativa da Veja para desviar a atenção dos crimes que cometeu não vai abafar o maior escândalo de corrupção da imprensa brasileira, superior àquele cometido pelo "News of the World".
O  jornal pertencia ao império de mídia de Rupert Murdoch que, envergonhado, decidiu fechá-lo após escândalo similar ao de Veja.
A vergonha, porém, ficou demonstrado, não é uma virtude do Sr. Victor Civita.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

DEMÓSTENES, CACHOEIRA E A REDE GLOEBBELS

Sempre paparicado pela Rede Gloebbels, o imaculado e hipócrita senador levava vida dupla. Denodado defensor da ética na política, paladino da luta contra a corrupção, Demóstenes chafurdava na lama como um suíno.
Um fariseu orgulhoso de seu estilo formal e impostado. Desfiliou-se do DEM para desviar os holofotes de outros iguais como Agripino Maia e Álvaro Dias que deverão, agora, ganhar o espaço que vai ficar vazio na mídia cínica, mercenária, demagógica e corrupta.
Sou contra a sua cassação. É imprescindível que o canalha permaneça com seu mandato, desfilando como um zumbi maltrapilho e exalando seu odor fétido por todo o Senado. Enterrado vivo a demonstrar que a vestal mais importante não era digna da guarda do santuário. E, também, para servir de exemplo a quem ouvir as futuras declarações de um ainda perfumado Álvaro Dias.  
Além do mais, seu suplente – o empresário Wilder Pedro de Morais, secretário de Infra-estrutura do governador de Goiás – está por dentro dos negócios e faz parte da quadrilha de Cachoeira. O empresário ofereceu muitos jantares para o contraventor em sua casa e foi assim que Cachoeira conheceu e se relacionou com Andressa Alves Mendonça, ex-mulher do suplente e atual mulher do contraventor.
Dizem que ela levou uma surra antes de ir morar com Cachoeira.
“A mulher do meu suplente o deixou e passou a viver com Cachoeira. Eu e minha mulher tivemos de resolver esse problema. Por isso houve tantas ligações e encontros” – assim Demóstenes justificou as 298 conversas telefônicas com Cachoeira, entre fevereiro e agosto de 2011,
Com a possibilidade de Wilder herdar seis anos e meio de mandato, sua ex-mulher, naturalmente instruída pelo atual marido, afirma: “Eu conheci o Carlinhos por meio do Wilder. Hoje eles não são amigos, são inimigos”.
Só pode ser caô pra salvar a suplência. Andressa é proprietária de uma franquia de roupas íntimas num shopping de Goiânia que tem Wilder como sócio.

Mas, deixemos pra lá estas fofocas conjugais e vamos ao que interessa.
Este caso me faz lembrar do primeiro político a tomar um banho do Cachoeira. Foi um deputado federal, meu amigo, pato novo em Brasília que quis dar um mergulho fundo para favorecer deputados estaduais fluminenses.
Ele não tinha o envolvimento sujo com o contraventor como Demóstenes. Em momento algum tentou se passar como exemplo da ética, nem protegeu o Cachoeira em suas negociatas e artimanhas. Apenas, a pedido de ex-colegas, tentou obter vantagens financeiras com o contraventor para pagar o voto daqueles que o inocentariam na CPI da Loterj.
A conversa que tiveram, em Brasília, foi toda gravada por Cachoeira e publicada na Veja que reproduziu a proposta do deputado: "São quarenta deputados, a 100 cada um, dá 4 milhões. Quando acabar a votação a gente chama os caras. Divide em dois (pagamentos). Na primeira votação, xis. Na segunda votação, o restante."
A partir daí, houve o escândalo que ganhou todas as primeiras páginas dos jornais de todo o país. E o deputado foi cassado após cumprir apenas um ano e cinco meses de mandato.
Não estou aqui para defender ninguém, nem uma atitude assim tão insensata, só quero mostrar que o relacionamento da Veja com a quadrilha de Cachoeira vem de longa data, como o Luiz Nassif escreveu em seu blog, citando inclusive este caso.
O autor da reportagem foi Policarpo Junior que a Veja tenta agora defender com estas palavras gravadas de Cachoeira: O Policarpo nunca vai ser nosso”.
Na mesma gravação, porém, Cachoeira diz: Eu já ajudei ele demais da conta. Entendeu? Demais da conta!... Porque os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles fomos nós que demos... Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz. E tudo via Policarpo... ... Quantas matérias nós já demos para o Policarpo, o grupo já deu? Quantas?... Nós temos de ter jornalista na mão, ô Jairo. Nós temos que ter jornalista.”
Luiz Nassif relaciona em seu blog as matérias sem qualquer verossimilhança que Cachoeira plantou na Veja e que, claro, nunca foram provadas, com exceção do caso do meu amigo deputado.
É Nassif quem diz:
“Em 2008 dei início à primeira batalha de um Blog contra uma grande publicação no Brasil.
Foi “O Caso de Veja”, uma série de reportagens denunciando o jornalismo da revista Veja. Nela, selecionei um conjunto de escândalos inverossímeis, publicados pela revista. Eram matérias que se destacavam pela absoluta falta de discernimento, pela divulgação de fatos sem pé nem cabeça.
A partir dos “grampos” em Carlinhos Cachoeira foi possível identificar as matérias que montava em parceria com a revista. A maior parte delas tinha sido abordada na série, porque estavam justamente entre as mais ostensivamente falsas.
Com o auxílio de leitores, aí vai o mapeamento das matérias:
Graças ao grampo, é possível mapear alguns dos “furos” mencionados  na conversa entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira com o PM-araponga Jairo Martins, um ex- agente da Abin que se vangloria de merecer um Prêmio Esso por sua colabooração com Veja em Brasília. Martins está preso, junto com seu superior na quadrilha de Cachoeira, o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, fonte contumaz de jornalistas – com os quais mantém relações de agente duplo, levando e trazendo informações do submundo da arapongagem.
O primeiro registro da associação entre Veja e Cachoeira está numa reportagem de 2004, que desmoralizou uma CPI em que o bicheiro era investigado. Em janeiro daquele ano, Cachoeira foi a fonte da revista Época, concorrente de Veja, na matéria que mostrou Waldomiro Diniz, sub de José Dirceu, pedindo propina ao bicheiro quando era dirigente do governo do Rio (2002). Depois disso, Cachoeira virou assinante de Veja.
As digitais do bicheiro e seus associados, incluindo o senador Demóstenes Torres, estão nos principais furos da Sucursal de Brasília ao longo do governo Lula: os dólares de Cuba, o dinheiro das FARC para o PT, a corrupção nos Correios, o espião de Renan Calheiros, o grampo sem áudio, o “grupo de inteligência” do PT.
O que essas matérias têm em comum:
1) A origem das denúncias é sempre nebulosa: “um agente da Abin”, “uma pessoa bem informada”, “um espião”, “um emissário próximo”.
2) As matérias sempre se apoiam em fitas, DVDs ou cópias de relatórios secretos – que nem sempre são apresentados aos leitores, se é que existem.
3) As matérias atingem adversários políticos ou concorrentes nos negócios de Cachoeira e Demóstenes Torres (o PT, Lula, o grupo que dominava os Correios, o delegado Paulo Lacerda, Renan Calheiros, a campanha de Dilma Rousseff)
4) Nenhuma das denúncias divulgadas com estardalhaço se comprovou (única exceção para o pedido de propina de 3 mil reais no caso dos Correios).
5) Assim mesmo, todas tiveram ampla repercussão no resto da imprensa.
CONFIRA AQUI A CACHOEIRA DOS FUROS DA VEJA EM ASSOCIAÇÃO COM DEMÓSTENES, ARAPONGAS E CAPANGAS DO BICHEIRO PRESO:
1) O CASO DO BICHEIRO VITIMA DE EXTORSÃO
Revista Veja Edição 1.878 de 3 de novembro de 2004
http://veja.abril.com.br/031104/p_058.html
2) O CASO DO DINHEIRO DAS FARC
Capítulo 1 – Revista Veja Edição 1896 de 16 de março de 2005
http://veja.abril.com.br/160305/p_044.html
Capítulo 2 – Revista Veja Edição 1.899 de 6 de abril de 2005
http://veja.abril.com.br/060405/p_054.html
3) O CASO MAURICIO MARINHO
Capítulo 1 – Revista Veja Edição 1.905 de 18 de maio de 2005
http://veja.abril.com.br/180505/p_054.html
4) O CASO DOS DÓLARES DE CUBA
Revista Veja Edição 1.929 de 2 de novembro de 2005
http://veja.abril.com.br/021105/p_046.html
http://www.febrac.org.br/showClipping.php?clipping=30305&cod=7112)
5) O CASO FRANCISCO ESCÓRCIO
Revista Veja Edição 2.029 de 10 de outubro de 2007
http://veja.abril.com.br/101007/p_060.shtml
6) O CASO DO GRAMPO SEM ÁUDIO
Capítulo 1 – Revista Veja, Edição 2022, 22 de agosto de 2007
http://veja.abril.com.br/220807/p_052.shtml
Capítulo 2 – Revista Veja Edição 2073 de 13 de agosto de 2008
http://veja.abril.com.br/130808/p_056.shtml
Capítulo 3 – Revista Veja Edição 2.076 de 3 de setembro 2008
http://veja.abril.com.br/030908/p_064.shtml
7) O CASO DO “GRUPO DE INTELIGÊNCIA” DO PT
Capítulo 1 – Revista Veja Edição 2.167 de 2 de junho de 2010
http://veja.abril.com.br/020610/ordem-casa-lago-sul-p-076.shtml
Capítulo 2 – Revista Veja Edição de julho de 2010
http://veja.abril.com.br/090610/era-levantar-tudo-inclusive-coisas-pessoais-p-074.shtml
Todas as reportagens são da lavra de Policarpo Junior. Leia e veja que as suas fontes são o ex-sargento Idalberto Matias, o Dadá, capanga de Cachoeira e contato do bicheiro com a Veja e Jairo Martins, o policial associado a Policarpo Junior também capanga do contraventor.
Agora, a última novidade do caso: Cachoeira queria ampliar os seus negócios e
orientou Demóstenes a trocar o DEM pelo PMDB para aderir à base de apoio ao governo e se aproximar da presidenta.
Cachoeira diz assim na gravação: "E fica bom demais se você for pro PMDB... Ela quer falar com você? A Dilma quer falar com você, não?"
Demóstenes responde: "Por debaixo, mas se eu decidir ela fala. Ela quer sentar comigo se eu for mesmo. Não é pra enrolar".
Cachoeira se empolga: "Ah, então vai, uai, fala que vai, ela te chama lá".
Demóstenes demonstra estar disposto a acatar a recomendação. Era final de abril de 2011 e o senador democrata estava em negociação com Renan Calheiros e José Sarney para mudar de legenda.
O objetivo da troca de lado era posicionar melhor Demóstenes para ajudar o esquema de Cachoeira. Até então, a vestal atacava sem piedade aqueles governistas acusados de corrupção. Com o apoio do PMDB, Demóstenes poderia até chegar ao cargo de ministro do STF.
Era o grande sonho de Cachoeira. Já imaginaram os envernizados Gilmar Dantas e Demóstenes juntos?